quinta-feira, 29 de março de 2012
Pela vida, por almejá-la enfim
pela vida,
pelos sorrisos prometidos
por todas as flores
por tudo que existe
pelas ruas cheias de gente
vazias e viciadas
pelas histórias das encruzilhadas
pelo amor que eu imploro
pelo amor que me espanca
todas as noites
todos os dias
nos momentos de dor
nos de alegria nem tanto
mas por qual espero
pelo qual prometo
pelo qual pactuarei com sangue
pelo qual eu vivo e escrevo
por tudo
por todos
que sobreviverei todas as noites
só para você
para ser seu
para derreter no seu peito
para cair nos seus braços
para me afogar nos seus olhares
domingo, 25 de março de 2012
Rio en Medio - I see the Star
"'eu vê uma estrela'
ela brilhar, é, no.
eu reparava lá
reparando-te.
ela brilhar, é, no.
eu reparava lá
reparando-te.
'eu vê o morte'
dessa cidade,
'dessa' planeta
perfumada de maçã.
dessa cidade,
'dessa' planeta
perfumada de maçã.
sonho, sonho
que coisa bela (amada)
lembro do canto,
que pesadelo (mama, mama)
que coisa bela (amada)
lembro do canto,
que pesadelo (mama, mama)
eu sei o nome
dessa cidade.
minha estrela
minha estrela
perfumada de maçã.
dessa cidade.
minha estrela
minha estrela
perfumada de maçã.
sonho, sonho
que coisa bela (amada)
lembro do canto,
que pesadelo (mama, mama)"
que coisa bela (amada)
lembro do canto,
que pesadelo (mama, mama)"
Melancobucolismo
Ninguém me viu sair,
se era pra andar
eu andei..
Me prendi,
me fundi,
me guardei,
me protegi.
Respirei e guardei o ar
caí e reservei o tempo da queda
entrei no buraco negro do tempo
dessa vez era mais lento
depois eu pensava em como voltar
eu precisava sumir
ainda preciso
não sumi por completo
tem dias que vejo pedaços
nas árvores
nas campinas,
especialmente na água
ainda vou juntar tudo.
domingo, 18 de março de 2012
Bèlle Époque Brasileira
"Chapéu Azul", por Tarsila Do Amaral (1922)
Dos retratos tirei-a
Bisa, infinita,
matrona.
Cantarolava valsas
cosia
fazia renda
falava francês
a face desnuda
o cabelo em coque baixo
despenteado
rebelde
maltratado.
Tinha ela muitos dotes
e cores de meia
e vestidos
e anáguas.
Sempre que cruzava as pernas
deixava 3 ou 4 centímetros
tomava chá
e café
de noite era vinho
batia na mão
e exigia postura
tinha um nariz francês
mas era inglesa
fechada,
forte
mas os olhos
esses eram profundos
pediam ajuda
derretiam-se nos silêncios.
Dos retratos tirei-a
Bisa, infinita,
matrona.
Cantarolava valsas
cosia
fazia renda
falava francês
a face desnuda
o cabelo em coque baixo
despenteado
rebelde
maltratado.
Tinha ela muitos dotes
e cores de meia
e vestidos
e anáguas.
Sempre que cruzava as pernas
deixava 3 ou 4 centímetros
tomava chá
e café
de noite era vinho
batia na mão
e exigia postura
tinha um nariz francês
mas era inglesa
fechada,
forte
mas os olhos
esses eram profundos
pediam ajuda
derretiam-se nos silêncios.
Nature Sauvage
Nitrate, mon Amour ( com Louise Brooks) por Colette Saint-Yves
O corpo quente
de toques
carícias
olhares
fazendo piruetas
dançando no espaço
borbulhando o sangue
sangue
sangue fervente
sem alívio
sem ombro amigo
sem desocultar
apenas fervente
saindo pela boca
jorrando pelos ombros
melando o peito
caindo pelos braços
derrubando pelos dedos
sujando
lavando
secando
a alma que anseia
e pede
a cada passagem
a cada vista
o olhar de volta
o solidarizar
de outro corpo vazante
que sem contato
sente os dedos do desejo
e as lágrimas de amar.
O corpo quente
de toques
carícias
olhares
fazendo piruetas
dançando no espaço
borbulhando o sangue
sangue
sangue fervente
sem alívio
sem ombro amigo
sem desocultar
apenas fervente
saindo pela boca
jorrando pelos ombros
melando o peito
caindo pelos braços
derrubando pelos dedos
sujando
lavando
secando
a alma que anseia
e pede
a cada passagem
a cada vista
o olhar de volta
o solidarizar
de outro corpo vazante
que sem contato
sente os dedos do desejo
e as lágrimas de amar.
terça-feira, 13 de março de 2012
Ao pé da cama
Dorme.
Já passa das cinco
e você aí, incompleto
os olhos vermelhos
as mãos desesperadas
o corpo frio...
Dorme.
Te vi morto
mas não tive coragem de enterrar
gostaria que o fizesse.
Dorme.
Pois quero que não veja
que não presencie
a chuva que cai
ela cai de mim
minha face
minhas mãos,
meus olhos,
tudo
derreteu
de tanto fingir.
Dorme.
Já passa das cinco
e você aí, incompleto
os olhos vermelhos
as mãos desesperadas
o corpo frio...
Dorme.
Te vi morto
mas não tive coragem de enterrar
gostaria que o fizesse.
Dorme.
Pois quero que não veja
que não presencie
a chuva que cai
ela cai de mim
minha face
minhas mãos,
meus olhos,
tudo
derreteu
de tanto fingir.
Dorme.
sábado, 10 de março de 2012
In Memorium de alguém que me esqueceu
"O fantasma do passado", por PJ Gelmi
Até virarmos fantasmas
até as décadas passarem
e os retratos amarelarem
até não haver mais lua
até a morte das coisas sólidas
eu vou ficar
por entre a transparência dos vidros
nos espelhos
nas ventanias de abril
nas sombras longilíneas dos pores do sol
esperando
até você me ter
e não precisar de nada mais
e eu poder te drogar
apenas com o meu olhar
Até virarmos fantasmas
até as décadas passarem
e os retratos amarelarem
até não haver mais lua
até a morte das coisas sólidas
eu vou ficar
por entre a transparência dos vidros
nos espelhos
nas ventanias de abril
nas sombras longilíneas dos pores do sol
esperando
até você me ter
e não precisar de nada mais
e eu poder te drogar
apenas com o meu olhar
quinta-feira, 8 de março de 2012
Adonis
"Angelus", por Bete Coutinho (2011)
Imagine que Adonis fosse
imagine que ele desejasse
ele nunca desejaria tal silhueta,
era certo?
Por certo que não...
Mas era impossível
não se seguram as rédeas das vontades,
é como o vento
quando você sente ele por dentro
ele já te dominou e te abandonou,
era assim que deveria ser.
Mas esse interesse parece novo
nunca havia olhado tais formas com atenção
tão perfeitas,
quase semi-deusas
tragadas em um só corpo
em uma só alma.
Imagine que Adonis fosse
imagine que ele desejasse
ele nunca desejaria tal silhueta,
era certo?
Por certo que não...
Mas era impossível
não se seguram as rédeas das vontades,
é como o vento
quando você sente ele por dentro
ele já te dominou e te abandonou,
era assim que deveria ser.
Mas esse interesse parece novo
nunca havia olhado tais formas com atenção
tão perfeitas,
quase semi-deusas
tragadas em um só corpo
em uma só alma.
domingo, 4 de março de 2012
Vamos às compras
Queria saber o que tem pra vender
que faça bem
Será que pode me arrumar um pouco de sol?
Na verdade eu queria um sorriso, pode ser vencido
só queria ter um, questão de consumismo.
Se tiver um pouco de confiança
eu aceito
pode ser aquela alí em liquidação,
não tem problema.
Se puder também queria um peito pra descansar
pode ser aquele bem rígido e gelado
é só pra preencher a cama.
O processo de arrepender
Arte: "Tales and no more tales" por Colette Saint Yves
Agora tem um gosto
que ontem não tinha
não que seja menos doce
mas que não tinha o mofo de hoje
é verdade
cada gota de ontem que caiu
formou o oceano de agora
algumas claras e líquidas
outras
escuras e pegajosas
As árvores de ontem tinham som
não que as de hoje não o tenham
só que agora o som é seco
como um silêncio depois dos gritos.
Agora tem um gosto
que ontem não tinha
não que seja menos doce
mas que não tinha o mofo de hoje
é verdade
cada gota de ontem que caiu
formou o oceano de agora
algumas claras e líquidas
outras
escuras e pegajosas
As árvores de ontem tinham som
não que as de hoje não o tenham
só que agora o som é seco
como um silêncio depois dos gritos.
sábado, 3 de março de 2012
No coração das mulheres
"Sem Título"-Francesca woodman
Narcisos e Rosas
brancas e vermelhas
seda e renda
tesouros
cachos
vento
paixão
doces
perfume
vestidos
verão
olhares
lágrimas
Narcisos e Rosas
brancas e vermelhas
seda e renda
tesouros
cachos
vento
paixão
doces
perfume
vestidos
verão
olhares
lágrimas
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