A escuridão que me seduz
cada eco no escuro, no vazio
do que valem as coisas mundanas
nada se compara ao nevoeiro
aos sons de uma casa velha que range
à musica tocando sozinha no piano da sala
nada tem melhor aspecto do que uma pessoa atormentada
sua fisionomia borrada
em padrões de cinza
ou até mesmo lilás
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Ecos
Era uma vez uma janela
que não era pura e simplesmente janela
era o lar dos que esperavam
todos os dias
lar das longas horas
lar das noivas cadáveres
dos encontros jamais ocorridos
das mãos que não vão se tocar
dos corpos que não vão se fundir
das primaveras jamais florescidas
dessa vez a espera é longa
é para sempre.
que não era pura e simplesmente janela
era o lar dos que esperavam
todos os dias
lar das longas horas
lar das noivas cadáveres
dos encontros jamais ocorridos
das mãos que não vão se tocar
dos corpos que não vão se fundir
das primaveras jamais florescidas
dessa vez a espera é longa
é para sempre.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Padrões noturnos
Luz, sonho e névoa-I trabalho autoral (2011)
Escuridãonos carregue nos seus padrões de noite
enquanto a lua de outono brilha
a noite vestida em camisola
nos manda sonhar
eu sonhei com sonho
e você?
Tinha música
tinham olhos
sol e lua
ao mesmo tempo
e o piano na sala
Chopin
na sala uma viúva...
eu queria dançar
uma valsa ou duas
mas não tinha pés
nem mãos
preferia ser neve e derreter
escorrer pelo chão
não tinha olhos
então como consegui enxergar?
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Entre os olhares
Frank Dicksee The Confession
A janela que range
ela ia consertar
talvez antes do fim do verão...
"queria ter algo mais útil para dizer"
pensamentos vêm
mas não há como conseguir assuntos melhores
doces
laços de fita
a filha da vizinha
nada disso é útil o suficiente
é outro tipo de conversa
o vento
abrindo a janela
"o som já está irritando
mais que o silêncio
não me interesso pelas ações da bolsa
mas não posso parar de olhar o botão da camisa
está abotoado na casa errada
não vou falar disso
talvez a mamãe doente
ele desvia o assunto pra chegar a nada
queria notícias dela
ainda está de cama
ela nunca quis isso
nem eu
ela está sempre comigo
mas não com o meu pai
ele está cansado
não quero ficar sozinha
mas ele vai morrer logo
eu reparei
essa aparência cadavérica me perturba"
Dissolução
Imagem por Amber Ortolano
Imaginei que o tempo não existia mais
Todas as conexões entre a vida e a morte foram quebradas
Eu não tinha mais peso
nem importância
nem sentidos físicos
tudo parecia, apenas
nada era
nada tinha
nem sabor
nem som
nem aspecto
minhas mãos dançavam involuntariamente
enquanto eu desaparecia a cada ventania
e depois me refazia
ou na praia
ou nas árvores
ou na neblina
às vezes na água
ou mesmo em um campo gramado
de frio
de fome
de amor
de saudade
de solidão
de arrependimento
de nada, não havia tempo, nem morte
não havia sol nem lua
só luz
pálida
sem temperatura
batendo em espectros
imaginei os véus de renda
aqueles que separavam realidade e sonho,
eles nunca mais existiriam
tudo era um só
se jogar
cair
palpitar
contemplar
o frio na nuca
era tudo junto
não dava pra saber
é que não havia vida
Imaginei que o tempo não existia mais
Todas as conexões entre a vida e a morte foram quebradas
Eu não tinha mais peso
nem importância
nem sentidos físicos
tudo parecia, apenas
nada era
nada tinha
nem sabor
nem som
nem aspecto
minhas mãos dançavam involuntariamente
enquanto eu desaparecia a cada ventania
e depois me refazia
ou na praia
ou nas árvores
ou na neblina
às vezes na água
ou mesmo em um campo gramado
de frio
de fome
de amor
de saudade
de solidão
de arrependimento
de nada, não havia tempo, nem morte
não havia sol nem lua
só luz
pálida
sem temperatura
batendo em espectros
imaginei os véus de renda
aqueles que separavam realidade e sonho,
eles nunca mais existiriam
tudo era um só
se jogar
cair
palpitar
contemplar
o frio na nuca
era tudo junto
não dava pra saber
é que não havia vida
Assinar:
Postagens (Atom)
