A fresta da porta
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Breve história da natureza morta
Arranca-se meia duzia de frutas,
coloca-se duas ou três flores de rosa,
duas ou três de jasmim,
cravos e ambientação,
dispõem-se tudo da maneira própria
de cada um
faz-se um simulacro de ambiente calmo,
enquanto a natureza simula que morreu
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Céus que caem
Caem as memórias também.
Não caem e derretem
como a chuva,
como a neve.
Caem,
ficam,
lembram,
remetem,
caem em vasos de cristal
transparentes,
cristalizadas.
Lembra-te das chuvas,
das nevascas,
lembra-te do frio que sente
ao olhar o vaso.
Não caem e derretem
como a chuva,
como a neve.
Caem,
ficam,
lembram,
remetem,
caem em vasos de cristal
transparentes,
cristalizadas.
Lembra-te das chuvas,
das nevascas,
lembra-te do frio que sente
ao olhar o vaso.
terça-feira, 24 de abril de 2012
"Você quer dar uma olhada?"
Massacre
penso na morte
todos os dias
de todas as formas
de cores mil
formas infinitas
menos, mais
insignificantemente dolorosas,
rápidas,
lentas,
eternas...
Dessa vez um anjo me impediu
mais algumas fichas
menos neurose
mais pores do sol,
mais outonos,
mais primaveras.
penso na morte
todos os dias
de todas as formas
de cores mil
formas infinitas
menos, mais
insignificantemente dolorosas,
rápidas,
lentas,
eternas...
Dessa vez um anjo me impediu
mais algumas fichas
menos neurose
mais pores do sol,
mais outonos,
mais primaveras.
domingo, 22 de abril de 2012
E mesmo assim queria te contar...
vi cores na neblina
vi a neve ter gosto de sorvete
vi a terra virar chocolate
as folhas de outono virarem ouro
vi sua boca se abrir
finalmente
a anatomia do sorrir
o teu beijo de morango
teu abraço de laranja
tua pele cheirando a pitanga.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Estelar
Existi sem ar,
voei sem asas,
me achei sem mapas,
gritei quando estava mudo,
enxerguei no escuro
a lua me guia
as estrelas me afagam,
a poeira me esquenta,
os buracos me tragam,
me levam, me desintegram
De todas as formas
sou eu que sussurro,
sou eu que desejo,
de tanto desejar,
derreti em ébrias nuvens,
caí em véus,
em castelos de cristal,
cantei,
para você cantei
até ficar mudo,
mas continuei,
até não poder mais falar,
mandei minhas estrelas,
pedi para que fossem longe
só para,
não importa aonde,
um dia te encontrar.
voei sem asas,
me achei sem mapas,
gritei quando estava mudo,
enxerguei no escuro
a lua me guia
as estrelas me afagam,
a poeira me esquenta,
os buracos me tragam,
me levam, me desintegram
De todas as formas
sou eu que sussurro,
sou eu que desejo,
de tanto desejar,
derreti em ébrias nuvens,
caí em véus,
em castelos de cristal,
cantei,
para você cantei
até ficar mudo,
mas continuei,
até não poder mais falar,
mandei minhas estrelas,
pedi para que fossem longe
só para,
não importa aonde,
um dia te encontrar.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Pela vida, por almejá-la enfim
pela vida,
pelos sorrisos prometidos
por todas as flores
por tudo que existe
pelas ruas cheias de gente
vazias e viciadas
pelas histórias das encruzilhadas
pelo amor que eu imploro
pelo amor que me espanca
todas as noites
todos os dias
nos momentos de dor
nos de alegria nem tanto
mas por qual espero
pelo qual prometo
pelo qual pactuarei com sangue
pelo qual eu vivo e escrevo
por tudo
por todos
que sobreviverei todas as noites
só para você
para ser seu
para derreter no seu peito
para cair nos seus braços
para me afogar nos seus olhares
domingo, 25 de março de 2012
Rio en Medio - I see the Star
"'eu vê uma estrela'
ela brilhar, é, no.
eu reparava lá
reparando-te.
ela brilhar, é, no.
eu reparava lá
reparando-te.
'eu vê o morte'
dessa cidade,
'dessa' planeta
perfumada de maçã.
dessa cidade,
'dessa' planeta
perfumada de maçã.
sonho, sonho
que coisa bela (amada)
lembro do canto,
que pesadelo (mama, mama)
que coisa bela (amada)
lembro do canto,
que pesadelo (mama, mama)
eu sei o nome
dessa cidade.
minha estrela
minha estrela
perfumada de maçã.
dessa cidade.
minha estrela
minha estrela
perfumada de maçã.
sonho, sonho
que coisa bela (amada)
lembro do canto,
que pesadelo (mama, mama)"
que coisa bela (amada)
lembro do canto,
que pesadelo (mama, mama)"
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